escrito por Celso Antonio Cruz
9 min de leitura
07 Jan
07Jan


 URGÊNCIA|🚨DIREITO |9 MIN DE LEITURA 


SEU EDITAL DE LICITAÇÃO SERÁ ANALISADO POR UMA MÁQUINA — E VOCÊ PODE NÃO ESTAR PRONTO 


Se a sua empresa atua em licitações públicas, tem uma notícia que não pode ignorar: o Governo Federal está implantando o uso de inteligência artificial para analisar automaticamente os editais e contratos administrativos. 

O sistema utilizado pelo TCU se chama Alice – Analisador de Licitações, Contratos e Editais, e já consegue identificar fraudes, direcionamentos e inconsistências em licitações e contratos públicos. 

A partir de janeiro de 2026, essa ferramenta será integrada ao Compras.gov.br — a plataforma que gestores públicos usam todos os dias para publicar editais. 

A questão que paria se a tecnologia será benéfica ou maléfica.

Os "riscos" de potencial fraude poderão ser sinalizados antes mesmo que um ser humano os veja, visto que a “máquina” segue as regras com muito mais rigor que um auditor humano.

Porém, e se a IA falhar, o prejuízo será enorme ao fornecedor e aos cofres públicos. 


O QUE DIZ A LEI 14.133/2021 


A Lei nº 14.133/2021 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos) estabelece que toda contratação pública deve estar alinhada a princípios fundamentais: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e isonomia. 

O artigo 5º da Lei deixa claro: 

"A licitação é obrigatória para obras, serviços, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, exceto nos casos previstos em lei." 

Mas aqui está o detalhe: a Lei 14.133/2021 não prevê explicitamente o uso de IA para monitoramento automático

Por quê? 

Porque a lei foi criada em 2021, e a IA era menos sofisticada. 5 anos depois, o governo aproveitou a “brecha legal” para implementar sistemas inteligentes que verificam automaticamente se seus editais cumprem os princípios previstos na lei. 

Isso significa que a sua empresa não pode reclamar que "a máquina errou”? 

A máquina está apenas aplicando a Lei 14.133/2021 de forma muito mais eficiente que um auditor humano faria? 

Será? 


O QUE DIZ O TCU — E POR QUE VOCÊ DEVE SE PREOCUPAR 

O Tribunal de Contas da União (TCU) já vêm incentivando o uso da IA em licitações. Em 2024, o TCU publicou importante acórdão sobre Alice (Acórdão TCU nº 1.364/2019), que validou o uso de inteligência artificial para detectar indicadores de direcionamento, fraude e corrupção

O tribunal identificou que Alice consegue analisar automaticamente: 


  • Prazos muito curtos em editais;
  • Exigências que limitam a participação de fornecedores;
  • Descrições de preços acima do valor de mercado;
  • Padrões suspeitos de direcionamento.


O resultado concreto: em auditorias onde Alice foi acionada, o TCU conseguiu proteger o patrimônio público de gastos irregulares que totalizaram R$ 291 milhões em um período de 4 anos (2017-2020). 


COMO ALICE FUNCIONA — E COMO ELA VAI TE ENCONTRAR 


Alice não é um programa simples. É um sistema de inteligência artificial e “machine learning” que: 


  • Lê automaticamente todos os editais publicados no Compras.gov.br; 
  • Analisa o texto procurando por padrões de risco; 
  • Compara preços com valor de mercado; 
  • Verifica requisitos que podem estar restringindo fornecedores; Identifica incongruências entre edital e descrição de serviço; 
  • Aponta o trecho exato do edital que gerou o alerta. 


O mais importante que a Alice já está identificando padrões que indicam direcionamento de licitação — aquela prática (ilegal) de estruturar um edital para que apenas um fornecedor vença.

Em 2019, a Alice identificou um edital do Ministério da Saúde que exigia características muito específicas de um produto, de modo que apenas um fornecedor poderia atender, apontando exatamente onde estava o problema. 

O edital foi suspenso. Uma licitação direcionada foi evitada. 


O PLANO BRASILEIRO DE IA — O GOVERNO ESTÁ INVESTINDO R$ 23 BILHÕES 


Você pode achar que Alice é isolado. Não é. O governo federal lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, com investimento previsto de R$ 23 bilhões. 

Deste valor: 


  • R$ 1,76 bilhão é especificamente para IA em serviços públicos;
  • O governo quer estruturar 25 projetos de alto impacto até 2026;
  • Um desses projetos é integrar Alice ao Compras.gov.br.


Iniciativa 6.7 do PBIA (Oficial): 

"Estabelecer orientações, padrões e modelos para adoção de IA em 10 (dez) áreas prioritárias do governo e estruturar 25 (vinte e cinco) projetos de alto impacto, no âmbito do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial – PBIA, até 2026.

Significa que não se trata de um experimento, mas de um investimento federal em larga escala. Alice virá. E virá com força. 


OS 4 ERROS QUE GESTORES PÚBLICOS ESTÃO COMETENDO 


Baseado em análises de Alice desde 2017, os principais erros que resultam em sinalizações são: 


Erro 1 — Prazo Muito Curto: Alice detecta quando o prazo para apresentação de propostas é inferior ao padrão de mercado. Exemplo: Um pregão com prazo de 3 dias úteis para uma obra complexa. Alice aponta. TCU investiga. Edital é suspenso. 

Erro 2 — Especificação Restritiva: Você descreve um produto de forma tão específica que apenas um fornecedor atende. Alice detecta. Exemplo: "Ar condicionado marca X, modelo Z1500, com filtro especial Y". Alice sugere: "Por que não abrir para similares?" 

Erro 3 — Preço Acima do Mercado: Alice compara preços de licitações anteriores e valor médio de mercado. Se o preço da sua licitação está 30% acima, Alice sinaliza. Investigação começa. 

Erro 4 — Edital Inconsistente: Quando o termo de referência (TR) não bate com o edital. Quando descrição técnica diverge de especificações. Alice encontra. E documenta. 


🎯 O PARADOXO: POR QUE FORNECEDORES TEMEM A IA E POR QUE DEVERIAM COMEMORAR? 


Quando ouvem falar que as "máquinas vão analisar licitações", muitos fornecedores ficam assustados. 

Isso é um erro de perspectiva.

A verdade é simples: se você trabalha honestamente, a IA é sua melhor aliada. Se você prática fraude, a IA será o seu pior inimigo. 

E aqui está o detalhe econômico que a maioria não enxerga: a implementação da IA Alice e do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) está e irá eliminar os concorrentes desonestos — exatamente os que comem seu lucro. 

De 2017 a 2021, apenas o TCU (Tribunal de Contas da União) identificou e bloqueou fraudes em licitações no valor de R$ 291 milhões. 

Mas aqui está o problema: esses R$ 291 milhões eram distribuídos em milhares de licitações fraudulentas. 

E em cada uma delas, fornecedores honestos estavam concorrendo contra esquemas de direcionamento, sobrepreço e superfaturamento. 

Essa dinâmica acontecia centenas de vezes por ano em todo Brasil. Você nunca soube exatamente por que perdeu. Agora sabe: era fraude. 


🤖 COMO ALICE ELIMINA A CONCORRÊNCIA DESONESTA 


O sistema Alice funciona analisando automaticamente: 


1 - DIRECIONAMENTO DE EDITAL: a IA Alice detecta quando um edital foi estruturado especificamente para que apenas um fornecedor possa vencer identificando: 


  • Exigências muito específicas de marca/modelo, quando podia aceitar similares;
  • Prazos impossíveis: 3 dias para obra complexa;
  • Requisitos técnicos que eliminam 95% dos potenciais fornecedores;
  • Descrição tão detalhada que só um fornecedor atende.

 

Impacto para o fornecedor honesto: 


  • Edital suspeito é suspenso;
  • Realização de nova licitação;
  • Concorrência leal, transparente e sem “esquemas”;
  • Vantagem Financeira: as licitações justas reduzem os preços em 12 a 18%, mas as suas margens aumentam porque a competição não se torna suicida como nos processos fraudulentos.


2 – SOBREPREÇO (PREÇO ACIMA DO MERCADO) 


A Alice compara a cotação de preços de cada licitação com: 


  • Preços de licitações anteriores similares;
  • Valor de referência de mercado;
  • Índices econômicos e inflação.


 Impacto para o fornecedor honesto: 


  • Editais com sobrepreço são rejeitados, não vence quem cobra absurdo;
  • Com preço justo a compete torna-se real e vantajosa;
  • As propostas ficam mais competitivas naturalmente;
  • Vantagem Financeira: od fornecedores leais passam a vencer mais, ou seja, há um aumento da taxa de conversão, entre 25 e 35%, segundo dados do TCU.


3 - SUPERFATURAMENTO (COBRAR MAIS QUE O SERVIÇO PRESTADO) 


A Alice também analisa contratos durante a execução: 


  • Quantidade de serviço solicitado vs. quantidade faturada;
  • Qualidade do resultado vs. valor pago;
  • Cronograma vs. efetivamente realizado.

 Impacto para o fornecedor honesto: 


  • Superfaturadores são eliminados do mercado;
  • Reputação limpa dos concorrentes leais;
  • Vantagem Financeira: mais licitação disponíveis;
  • Melhor classificação no banco de dados dos órgãos públicos.

CONCLUSÃO — O FUTURO DAS LICITAÇÕES É AUTOMATIZADO 


Em 2026, a tendência que a IA - Alice não seja somente um experimento, mas de processo automatizado rotineiro de análise e fiscalização dos editais publicados no Compras.gov.br. 

Isso pode assustar. 

Mas há dois lados: 


✅Para quem segue a Lei 14.133/2021: Alice é proteção. Editais bem feitos passam fácil. 

❌ Para quem faz “jogo sujo”: a Alice será um fiscal implacável. As “máquinas” não cansam. Não aceitam suborno. Não mudam de ideia. 


A Gera Consultoria oferece consultoria especializada em conformidade com Lei 14.133/2021 e preparação para análise de IA. 


Saiba mais: 📱(14) 98105-3999


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